A preparação dos municípios para eventos climáticos extremos esteve em pauta no encontro promovido, no dia 16 de abril, pela Promotoria Regional Urbano-Ambiental, por meio do promotor de Justiça Sérgio Diefenbach.
Realizado na Univates, o evento reuniu representantes de municípios, técnicos da Defesa Civil, pesquisadores e instituições regionais. Na ocasião, a Defesa Civil do Estado realizou uma exposição técnica sobre os contratos de monitoramento e análise hidrometeorológica no Vale do Taquari, desenvolvidos no âmbito do Plano Rio Grande.
O objetivo foi promover a democratização e o nivelamento das informações relacionadas aos investimentos, à operação e à utilização dos sistemas de previsão e monitoramento, além de fortalecer a articulação interinstitucional na gestão de riscos e desastres.
O Consisa, por meio do diretor-executivo Norberto Dalpian, acompanhou a evolução dos trabalhos. Dalpian colocou o Consórcio à disposição para apoiar e atuar como articulador regional nas iniciativas relacionadas ao monitoramento, à prevenção e à gestão de riscos climáticos.
Reconstrução exige soluções baseadas na natureza, alerta pesquisadora
Os sistemas de monitoramento e alerta são ferramentas importantes para reduzir riscos, mas especialistas defendem que a adaptação climática também depende de planejamento urbano e recuperação ambiental. Para a bióloga e doutora em Botânica Elisete Maria de Freitas, as matas ciliares e a arborização urbana têm papel essencial diante da intensificação dos eventos extremos.
Segundo Elisete, que é professora do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Univates, as matas ciliares ajudam a reduzir impactos das chuvas ao reter água no solo, diminuir o escoamento superficial e proteger margens de rios contra erosão e deslizamentos. “Elas atuam como verdadeiras ‘esponjas’, retendo a água da chuva no solo e reduzindo o escoamento superficial, o que diminui a quantidade e a velocidade da água que chega aos rios e às áreas urbanas durante eventos de chuva intensa”, explica.
Elisete também destaca que a redução das áreas verdes e o avanço da urbanização intensificam problemas ambientais e aumentam a vulnerabilidade das cidades. Para ela, a arborização urbana é uma ferramenta importante para amenizar ilhas de calor, melhorar a gestão das águas pluviais e ampliar a resiliência climática.
Conforme a professora, ainda existem práticas urbanas e ambientais que caminham na direção oposta da recuperação ecológica. Ela cita a retirada de árvores em áreas urbanas, a substituição de áreas verdes centrais e intervenções em margens de rios sem recomposição de vegetação nativa.
“Essas ações, embora justificadas como soluções técnicas ou de desenvolvimento urbano, tendem a agravar problemas ambientais, como o aumento das temperaturas, a intensificação de alagamentos, a perda de biodiversidade e a redução da qualidade de vida”, afirma.
Legenda da foto: Direção do Consisa acompanhou o evento e colocou o Consórcio à disposição para apoiar e atuar como articulador nas iniciativas relacionadas ao monitoramento, à prevenção e à gestão de riscos climáticos