Quando um município consorciado precisa abastecer suas unidades de saúde, o pedido não segue diretamente para laboratórios ou distribuidoras.Ele passa pela Central de Medicamentos do Consisa, responsável por reunir as demandas de 45 municípios dos vales do Taquari e Rio Pardo, da Serra e da Serra do Botucaraí. Com uma relação de 1.042 itens, a Central coordena as compras, recebe e confere os produtos e organiza sua disponibilização aos municípios.
A variedade de produtos contempla desde os medicamentos básicos utilizados na atenção primária em saúde até itens destinados a tratamentos específicos. Entre eles estão antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, anti-hipertensivos, antidepressivos, broncodilatadores e anticoagulantes, além de suplementos alimentares e testes rápidos para dengue, covid-19, influenza A e B e leptospirose.
Implantada em dezembro de 2014, a Central de Medicamentos foi criada para centralizar as compras dos municípios e ampliar a eficiência do abastecimento. Hoje, além dos municípios consorciados, a estrutura também realiza as compras de medicamentos destinados às bases do Samu.
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O processo começa com o planejamento anual das necessidades dos municípios. Por meio de um sistema integrado, cada administração informa os itens e as quantidades previstas para abastecer suas unidades de saúde. Essas informações são consolidadas pelo Consisa, que realiza a pesquisa de preços, elabora os editais e conduz os pregões eletrônicos.
Após a homologação dos fornecedores, os municípios passam a realizar pedidos mensais pelo sistema. O Consisa reúne as solicitações, emite as ordens de compra e acompanha as entregas. Em média, são realizados 11 ciclos de pedidos por ano.
Os fornecedores têm até 15 dias para entregar os produtos. Quando os medicamentos chegam ao Consisa, passam por conferência, lançamento no sistema e separação conforme a demanda de cada município. A retirada é feita pelas próprias administrações municipais.
Os processos licitatórios anuais reúnem cerca de 830 itens em regime de registro de preços. Durante a vigência de 12 meses, aproximadamente 680 tipos diferentes de medicamentos, testes e insumos são efetivamente adquiridos pelos municípios, movimentando cerca de R$ 17,5 milhões em compras.
Um modelo que reduz custos e simplifica processos
Mais do que centralizar compras, a Central de Medicamentos do Consisa permite que os municípios atuem de forma conjunta na aquisição de medicamentos, ampliando o poder de negociação e reduzindo custos para a administração pública.
A economia obtida pelos municípios varia conforme os medicamentos adquiridos, mas costuma ficar entre 20% e 30% em comparação com compras realizadas individualmente.
“Se cada um dos 45 municípios realizasse sua própria pesquisa de preços e seu próprio pregão para comprar pequenas quantidades de medicamentos, os valores seriam muito mais altos e muitas empresas sequer teriam interesse em participar”, explica a coordenadora farmacêutica do Consisa, Elisabete Ângela Ferronato. “Quando reunimos toda a demanda regional, o Consisa passa a negociar grandes volumes. Isso aumenta a concorrência entre fornecedores e faz com que o recurso público renda mais.”
Além da redução de custos, o modelo diminui a burocracia para as prefeituras. O Consisa assume atividades como pesquisa de mercado, elaboração dos editais, condução dos pregões e análise técnica, sanitária, jurídica e fiscal das empresas participantes.
Outro benefício é a maior segurança no abastecimento. Com um fluxo organizado de pedidos mensais, o Consórcio controla prazos de entrega, monitora o cumprimento dos contratos e adota medidas quando há atrasos ou descumprimento por parte dos fornecedores. Esse acompanhamento contribui para reduzir riscos de desabastecimento e oferece mais previsibilidade aos gestores municipais.
Para Elisabete, a principal contribuição da Central de Medicamentos está na capacidade de transformar demandas individuais em uma solução regional. “A Central de Medicamentos transforma o isolamento dos pequenos municípios em força coletiva. Ela permite que cidades de diferentes portes tenham acesso aos mesmos medicamentos, com qualidade, segurança e preços mais competitivos”, afirma.
Números da Central
• 45 municípios atendidos
• 1.042 itens disponíveis no catálogo
• Cerca de 830 itens licitados por ano
• Aproximadamente R$ 17,5 milhões movimentados anualmente
• Economia média entre 20% e 30% para os municípios
Legenda:
Coordenadora farmacêutica do Consisa, Elisabete Ângela Ferronato